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Ministro quer medidas práticas para aproximar os países do BRICS

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Em seu discurso, Blairo Maggi propôs acompanhar e monitorar as negociações no setor de agronegócios entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul
publicado: 16/06/2017 16h23 última modificação: 16/06/2017 18h20
Exibir carrossel de imagens Mapa/Divulgação Ministros da Agricultura dos BRICS que participaram da reunião, em Nanjing

Ministros da Agricultura dos BRICS que participaram da reunião, em Nanjing

Em Nanjing, na China, ao participar do 7º Encontro de Ministro da Agricultura do grupo dos BRICS, Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), propôs nesta sexta-feira (16) que o Plano de Ação 2017-2020 do bloco estabeleça um grupo de trabalho para o monitorar e apresentar propostas que ampliem o fluxo de comércio e de investimento agropecuário e agroindustrial. “Precisamos nos esforçar para sairmos deste encontro com diretrizes para atingir resultados que beneficiem as populações que representamos. É fundamental contarmos com mecanismo para superar barreiras ao comércio”, afirmou.

“Nesse grupo de trabalho, espero discutir temas, como questões sanitárias e fitossanitárias, regras mais flexíveis e oportunidades de negócio entre as empresas do setor”, disse o ministro Maggi. Para fortalecer o BRICS (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), na área agrícola, é necessário, além de intensificar a cooperação, promover a inovação, acrescentou.

“Quero destacar a importância de colaborarmos mais intensamente na promoção da pesquisa, pois isso é fundamental para o sucesso de nossos produtores”, destacou Maggi, lembrando que, nos anos 1970, o governo brasileiro criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para responder demandas da agropecuária e enfrentar desafios do futuro. O que permitiu, observou, aumentar a produção de grãos em 386%, nos últimos 40 anos, enquanto a área utilizada na agropecuária cresceu 33%, 11 vezes menos.

Maggi falou também sobre a mudança de comportamento em relação ao meio ambiente. “Deixamos de ser um país que desmatava para extrair madeira ou que vivia de ciclos monocultores de cana de açúcar, café e borracha, para ser um dos líderes mundiais em setores como açúcar, café, suco de laranja, soja, carnes, milho, celulose e tantos outros, cuidando da natureza”. Comentou que “o Brasil tem grande orgulho em poder dizer ao mundo que a sustentabilidade é hoje uma marca da agricultura nacional”.

Fórum empresarial

O ministro do Mapa propôs ainda criar um fórum empresarial agrícola do BRICS. “Tenho certeza que podemos aprender muito mais uns com os outros. Todos têm experiências a compartilhar sobre integrar pequenos produtores ao mercado, agregar valor à produção, produzir preservando o meio ambiente”.

Defendeu um padrão de comércio agrícola “mais aberto e equilibrado”. Considerou que é possível cooperar também na coordenação de posicionamentos nos fóruns multilaterais para garantir ganhos comuns. E lembrou a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, “importante instrumento para financiar projetos agropecuários inovadores”.

Investimento e Desenvolvimento sustentável

No Fórum de Cooperação Agrícola do BRICS sobre Investimento e Desenvolvimento Sustentável, Maggi afirmou que “segurança alimentar é um tema que não pode se limitar às fronteiras nacionais. Ao fazê-lo, os países condenam consumidores a comprar produtos mais caros. A falta de competição faz também com que a inovação não ocorra na velocidade desejável”.
Além disso, segundo Maggi, as restrições ao comércio impedem o melhor uso dos recursos naturais e a maior parte da população mundial se concentra em regiões cujos recursos estão se exaurindo.

No caso da agricultura, persistem restrições significativas ao comércio exterior, na forma de tarifas, subsídios e toda sorte de barreiras não tarifárias, de acordo com o ministro do Mapa: “Produtos básicos, como soja, milho, café verde, celulose e algodão circulam com facilidade no mundo e nos países do BRICS. Porém, produtos mais processados, como óleo de soja, açúcar, etanol, carnes, laticínios, papel e café solúvel enfrentam maiores barreiras”.

Segundo ele, é muito difícil garantir ao mesmo tempo volume, preço baixo, qualidade, sanidade e sustentabilidade do alimento que chega aos consumidores mantendo as fronteiras fechadas ao comércio. Não há como solucionar os desafios globais de segurança alimentar, inocuidade do alimento e sustentabilidade mantendo pesadas restrições ao comércio. “Não podemos perder a oportunidade que este bloco representa para a ampliação do comércio agrícola entre nossos países. Se pretendermos ser, efetivamente, um Bloco, o comércio entre nossos países deveria ser mais fácil do que com outros países”, declarou.

Reuniões bilaterais

Em paralelo à reunião dos BRICS, Maggi se reuniu com parceiros dos países do bloco. Com o ministro da Agricultura da China, Han Changfu, Blairo Maggi reconheceu que o país é grande parceiro comercial, o que tem permitido atrair cada vez mais empresas chinesas a investirem no Brasil nas áreas de agricultura, energia elétrica, distribuição de energia, infraestrutura. E disse haver interesse em estimular cada vez mais a parceria. “O Brasil é um país seguro, é um país que respeita os contratos, que respeita aquilo que foi combinado. É um país onde, cada vez mais, a China e os chineses podem fazer investimentos, que não terão problemas nenhum”, observou.

O ministro acrescentou que estão em andamento reformas na área da previdência social, e também trabalhista, que permitirão diminuir custos para os produtores, para as indústrias. “Enfim, estamos modernizando nossa legislação”.
Maggi combinou com o ministro da Agricultura da África do Sul, Senzeni Zokwana, realizar encontros de empresários de ambos os países para buscar oportunidades de negócios. A África do Sul tem interesse em comercializar navios pesqueiros, vinhos, chá. Do lado do Brasil, carnes bovina e suína.  “Os BRICS precisam dar preferências e evitar barreiras. Temos que ter vontade política para fechar negócios”, sublinhou o ministro.

Maggi teve ainda encontro com o ministro da Agricultura da Rússia.  Os russos têm interesse em comercializar trigo e pescados, em contrapartida, o Brasil exportaria carnes e soja. 

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