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Ministra participa do lançamento de projeto que vai recuperar paisagens degradadas do cerrado

Paisagens rurais

Produtores de nove estados vão receber assistência técnica e gerencial. “Não tenho dúvida de que é possível aliar o aumento da produtividade com a preservação dos biomas”, diz Tereza Cristina
publicado: 03/04/2019 19h03 última modificação: 03/04/2019 19h14
Tereza Cristina entre o embaixador da Alemanha e o presidente da CNA

Tereza Cristina entre o embaixador da Alemanha e o presidente da CNA

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) lançou nesta quarta-feira (03) o Projeto Paisagens Rurais, de preservação do cerrado brasileiro, em evento com a participação do embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, da diretora interina do Banco Mundial (Bird) no Brasil, Doina Petrescu, e do presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), João Martins.

Com apoio do Bird e parceria com a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ),o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Embrapa  e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Paisagens Rurais vai capacitar e prestar assistência técnica e gerencial a 4 mil produtores rurais de nove estados e do Distrito Federal, com foco na recuperação ambiental produtiva do cerrado e na geração de renda. A iniciativa  é coordenada pelo Serviço Florestal Brasileiro, do Ministério da Agricultura.

Tereza Cristina enfatizou que o programa une meio ambiente e agricultura, que até pouco tempo atuavam de forma separada. “Hoje estamos aqui numa harmonia e numa parceria, porque para preservar o meio ambiente é preciso ter a agricultura consciente, a agricultura trabalhando em prol do desenvolvimento sustentável. Essa é a mensagem de como as coisas vão funcionar daqui para a frente, e de como serão exitosas. O produtor rural sempre preservou o ambiente, mas agora vai preservar mais com condições”, disse ela.

O Projeto “Gestão Integrada da Paisagem no Bioma Cerrado”, também chamado de Projeto FIP Paisagem, tem como objetivo o fortalecimento das práticas de conservação e recuperação ambientais, bem como de práticas agrícolas sustentáveis de baixa emissão de carbono em bacias selecionadas do bioma cerrado. Pelo projeto serão desenvolvidas atividades de treinamento e de assistência técnica para a recuperação e conservação da vegetação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (RL) e para a adoção de práticas de agricultura de baixo carbono (ABC), com o objetivo de melhorar a sustentabilidade nas pastagens de imóveis rurais. A ideia é fortalecer a implementação da regularização ambiental. O projeto dará aos 4 mil beneficiários o aporte técnico necessário para cumprimento do Código Florestal Brasileiro nos imóveis rurais, além de disseminar o uso de práticas de agricultura sustentáveis.

A ministra lembrou que o cerrado é o bioma mais produtivo do país, de onde saem todos os alimentos e todas as riquezas para alimentar o Brasil e o mundo. “É ali que temos grande parte da água potável do Brasil. Um dos grandes reservatórios mundiais está no cerrado, e temos de cuidar de nossa água, de nosso solo, precisamos dar condições para que nosso produtor possa fazer isso, principalmente o pequeno, aquele que mais precisa”, disse Tereza Cristina.

Com recursos da ordem de US$ 21 milhões do Fundo de Investimento Climático (CIF), disponibilizados por meio do Programa de Investimentos em Florestas (FIP), o Projeto FIP-Paisagem selecionou preliminarmente 53 ottobacias, que cobrem uma área de 12,5 milhões de hectares, distribuídos em nove estados (BA, GO, MA, MG, MS, MT, PI, SP, TO) do Cerrado. A seleção final das áreas de atuação do projeto será feita na fase inicial de implementação das atividades. O Distrito Federal será contemplado com alguns imóveis rurais para serem utilizados como áreas demonstrativas.

“Não tenho dúvida de que é possível aliar o aumento da produtividade com a preservação dos biomas”, disse a ministra. “Sou uma defensora de que a sustentabilidade só vem via produção, desenvolvimento e renda. Lugar onde tem pobreza extrema não tem preservação. Cada vez mais, precisamos mostrar o que o Brasil já tem e já vem fazendo. São poucos países do mundo que têm”.

A ministra agradeceu à CNA e ao Senar por estarem fazendo um trabalho enorme pelo produtor sem olhar para o tamanho dele. Segundo ela, as entidades estão ajudando o Ministério da Agricultura “a fazer com que os pequenos saiam do sistema de subsistência para um sistema produtivo, de dignidade, de renda, com mais acesso aos mercados”. Para a ministra, o Paisagens Rurais é só o início da parceria. “O marco é esse: agricultura e meio ambiente trabalhando em conjunto, para que a gente tenha programas de sucesso. O embaixador e a diretora do Banco Mundial podem ter certeza de que vamos usar esses recursos da melhor maneira possível, para que tenhamos sucesso no programa, porque vamos querer bem mais. Isso é só o início de uma parceria que agora incorporou o pequeno agricultor brasileiro”, disse ela.

O embaixador Georg Witschel, a diretora do Bird, Doina Petrescu, o presidente da CNA, João Martins, o diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, e o secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do ministério, Fernando Camargo, também falaram sobre os benefícios do projeto para a recuperação ambiental de paisagens degradadas do cerrado. O Paisagens Rurais permite ao pequeno produtor se adequar ao cumprimento do Código Florestal. De acordo com Tereza Cristina, ao estar regularizado e com a propriedade dentro dos parâmetros do Código Florestal, o produtor vai poder, no futuro, usufruir da preservação que vai estar fazendo.

Nesta quinta-feira (4), o Senar vai promover um dia no campo para que os parceiros conheçam a aplicabilidade da assistência técnica e os resultados alcançados com as novas práticas de gestão. O produtor a ser visitado no município é pecuarista e desenvolve na propriedade, em Pirenópolis (GO), integração pecuária-lavoura e recuperação de pastagens degradadas, tecnologias de baixa emissão de carbono que resultaram na recuperação de 70% da área destinada à paisagem.


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