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Agricultura sustentável e energia renovável do Brasil são exemplos, diz Maggi

Etanol pode ser alternativa para muitos países e milho também deve virar combustível

COP22
publicado: 17/11/2016 16h13 última modificação: 08/12/2016 15h27
Maggi: Brasil se apresenta na COP22 como solução para vários países (Divulgação)

Maggi: Brasil se apresenta na COP22 como solução para vários países (Divulgação)

A produção de biocombustíveis, como o etanol, produzido no Brasil a partir da cana de açúcar, não compete com a produção de alimentos e pode ser uma alternativa interessante para muitos países, defendeu o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, durante o lançamento da Plataforma Biofuturo na COP22, a Conferência do Clima, que se realiza em Marrakech, no Marrocos. Maggi disse também que o Brasil tem a agricultura mais sustentável do planeta.

A plataforma foi lançada por um grupo de 13 países da América do Sul, incluindo o Brasil, da Europa e da Ásia para promover o uso de biocombustíveis. A iniciativa anunciada pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, visa soluções que reduzam o volume de emissões setor de transportes de gases responsáveis pelo aquecimento global.
 
Biocombustíveis

Os biocombustíveis avançados, preconizados pela Plataforma e que podem reduzir em até 90% a contribuição do setor de transportes para o efeito estufa, foram defendidos pelo ministro da Agricultura.  “O que o ministro Sarney e o governo brasileiro propõem é dar sequência ao que o Brasil já vem fazendo. Temos experiência conhecida por fornecer biocombustível para a grande maioria dos automóveis do país”, assinalou Maggi.

O ministro da Agricultura comentou que seria interessante que outros países abrissem suas fronteiras para o etanol, senão como combustível exclusivo, mas na mistura com gasolina. O Brasil, sem dúvida alguma, na questão da energia, é o que mais tem energia renovável no mundo, acrescentou, lembrando que “42% da nossa energia é renovável, sendo 29% produzida na agricultura”.

Em debates, durante a conferência, Maggi contestou questionamentos sobre eventual opção de “deixar de produzir comida para a população para fazer biocombustível”.  Ele garantiu que a produção de etanol não é excludente, que faz parte de um ciclo da agropecuária e que pode ser ampliada, “inclusive a partir também de cereais sem afetar o balanço de alimentos”.

O cultivo de milho para a fabricação de etanol, como fazem os Estados Unidos, também pode ser interessante no Brasil, de acordo com o ministro. “Temos que considerar isso, principalmente, na Região Centro-Oeste, que está entre 1.700 Km e 2.000 km de distância do porto. Se fôssemos cultivar milho sem pensar numa alternativa que não seja o consumo animal e o consumo humano, não teríamos onde colocar a produção. Os preços ficariam tão deprimidos que levariam os agricultores à falência, à falta de recursos para continuarem a produzir”.

Produtor consciente

“O Brasil se apresenta nesta COP22 muito mais como uma solução para vários problemas que o mundo enfrenta do que propriamente como um problema a ser resolvido pelo agricultor”, destacou. “Temos, que eu diria sem medo nenhum, a agricultura mais sustentável do mundo. As nossas áreas de produção no Brasil têm que ter, no mínimo, 20% de reserva legal. Todos os córregos e rios são protegidos por legislação. Mas, mais que a legislação, são protegidos pela consciência dos produtores, de que nós devemos preservar a flora e a fauna.”

O ministro salientou que a exigência na Floresta Amazônica, no norte do Brasil, é de manter 80% das propriedades inalteradas. “Manter 80% de uma propriedade sem uso é como você ter um hotel, com 100 apartamentos e só poder comercializar 20 unidades. E as despesas pertencem a você. É um sacrifício muito grande para os produtores brasileiros.”

Maggi assegurou ainda que o Brasil vai colaborar, cada vez mais, para o cumprimento de metas climáticas e serve de exemplo para muitos países em muitas áreas de produção. “Temos uma agricultura de baixo carbono, um programa de governo que apoia essas atividades. Faltam os recursos para acelerar, mas estamos num caminho de fazer isso.”

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