DOENÇA DE NEWCASTLE (DNC)

publicado 06/01/2020 17h31, última modificação 14/01/2020 09h13

Doença de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a doença de Newcastle é uma doença viral contagiosa que afeta várias espécies de aves, assim como répteis e mamíferos, e até mesmo o homem.

Segundo o Código Sanitário para os Animais Terrestres – OIE, trata-se de uma infecção em aves domésticas causada pelo vírus da doença de Newcastle, que é um paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1) que reúna determinados critérios de virulência de índice de patogenicidade intracerebral ou de presença de múltiplos aminoácidos básicos.

Os últimos casos confirmados no Brasil ocorreram em 2006 e em aves de subsistência, nos estados do Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, conforme notificação à OIE: https://www.oie.int/wahis_2/public/wahid.php/Reviewreport/Review?page_refer=MapFullEventReport&reportid=5103

A principal forma de propagação do vírus da doença de Newcastle é por meio de aerossóis de aves infectadas ou de produtos contaminados. Além disso, vetores como roedores, insetos e artrópodes também contribuem para a disseminação do vírus.

Portanto, aplicar medidas de biosseguridade nos estabelecimentos avícolas visando limitar a exposição de aves domésticas a outras aves é a principal medida de mitigação de risco para introdução do vírus da doença de Newcastle no plantel avícola nacional.

O Programa Nacional de Sanidade (PNSA) além de estabelecer os critérios mínimos de biosseguridade a serem aplicados pelos estabelecimentos avícolas para o registro destes junto ao Serviço Veterinário Oficial (SVO), também determina os procedimentos específicos de prevenção e vigilância epidemiológica para influenza aviária (IA) e DNC, conforme a seguir:

 

Investigação imediata de qualquer notificação ou caso suspeito de influenza aviária e doença de Newcastle

A vigilância passiva tem como base o pronto atendimento pelo SVO das notificações feitas por parte dos médicos veterinários responsáveis técnicos de granjas, produtores ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento da ocorrência de mortalidade repentina de aves, associadas ou não a sintomas clínicos neurológicos ou respiratórios.

Essas notificações geram investigação a campo para caracterização ou não, por parte do SVO, de uma suspeita provável de IA e DNC.

Se a suspeita for caracterizada com provável, são colhidas amostras para diagnóstico laboratorial oficial, realizada investigação epidemiológica e a propriedade permanece interditada até conclusão do laudo laboratorial.

 

Vigilância no abate das aves

No frigorífico, o Auditor Fiscal Federal Agropecuário (AFFA) do SIF avalia as informações contidas no Boletim Sanitário e na GTA. Caso sejam observadas altas taxas de mortalidade e não for comprovada a notificação ao SVO e a consequente investigação na granja, o fiscal realizará coleta de amostras no abatedouro para envio ao laboratório oficial do MAPA visando à pesquisa de vírus de influenza aviária e doença de Newcastle.

Caso seja constatada, no Boletim Sanitário, a visita do serviço de defesa sanitária animal a campo e a suspeita de doenças respiratórias e nervosas nas aves foi descartada pelo médico veterinário oficial, a colheita de amostras no abatedouro não se faz necessária.

 

Vigilância em estabelecimentos avícolas de reprodução e postura comercial

Plano de vigilância ativa em aves de descarte das granjas de postura comercial e de reprodução, com uma colheita mínima de 10 lotes/estado/mês selecionados ao acaso pelo SVO.

A colheita de material é realizada no estabelecimento de criação das aves pelo SVO antes da saída do lote para abate e encaminhado ao laboratório oficial do MAPA.

 

Vigilância em aves importadas

O material genético (ovos férteis e aves de um dia) e as aves ornamentais importadas passam por vigilância ativa no país de origem e ao ingressarem no Brasil.

Para importação de material genético avícola (ovos incubáveis e pintos de um dia), são colhidas amostras para pesquisa de vírus da influenza aviária, vírus da doença de Newcastle, Salmonella Gallinarum, S. Pullorum, S. Typhimurium, S. Enteritidis, Mycoplasma gallisepticum, M. synoviae e M. meleagridis (somente perus).

 

Inquéritos e estudos epidemiológicos

Recentemente, em 2015/2016, foi realizado um estudo de avaliação da circulação dos vírus de influenza aviária e doença de Newcastle em plantéis avícolas industriais do Brasil, utilizando uma amostragem probabilística por conglomerados. Os resultados obtidos permitiram confirmar que não há circulação dos vírus de influenza aviária e doença de Newcastle nos planteis avícolas nacionais.

ESTUDO PARA AVALIAÇÃO DE CIRCULAÇÃO DOS VÍRUS DA INFLUENZA AVIÁRIA E DA DOENÇA DE NEWCASTLE EM PLANTEIS AVÍCOLAS INDUSTRIAIS - RELATÓRIO FINAL

 

Vigilância para certificação sanitária de compartimentos avícolas

Em 2014 o MAPA publicou a normativa de Certificação Sanitária de Compartimentação da Cadeia Produtiva Avícola, a qual tem caráter voluntário e tem por objetivo certificar subpopulações com status sanitário diferenciado, livres de influenza aviária e doença de Newcastle.

Confira mais aqui.

 

Vigilância em sítios de aves migratórias

O Serviço Veterinário Oficial também realiza inquéritos epidemiológicos em populações domésticas de subsistência que vivem em um raio de 10 km de sítios de aves migratórias selecionados pelo Departamento de Saúde Animal – DSA/SDA/MAPA.

Em cada propriedade são coletadas amostras para pesquisa de influenza aviária e doença de Newcastle. Em relação às aves silvestres/migratórias, pode ser realizada vigilância passiva, por meio de colheitas de amostras em aves doentes ou recentemente mortas.

 

 Ficha Técnica - Doença de Newcastle