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Aquicultura

publicado 29/11/2016 10h15, última modificação 02/02/2017 18h01

Aquicultura: a atividade de cultivo de organismos cujo ciclo de vida em condições naturais se dá total ou parcialmente em meio aquático, implicando a propriedade do estoque sob cultivo, equiparada à atividade agropecuária (LEI 11.959/2009 - Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca).

A aquicultura é praticada pelo ser humano há milhares de anos. Existem registros de que os chineses já tinham conhecimentos sobre essas técnicas há muitos séculos e de que os egípcios criavam a tilápia há cerca de quatro mil anos. Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) O Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2016 (SOFIA), no mundo são cultivadas inúmeras espécies. No Brasil também temos muitas espécies sendo cultivadas atualmente. De forma geral, cada região brasileira vem se especializando em determinados tipos de pescado.

•    Na Região Norte, predominam peixes como o tambaqui e o pirarucu; 
•    No Nordeste, a preferência é pela tilápia e pelo camarão-marinho; 
•    No Sudeste, a tilápia tem grande presença na aquicultura; 
•    No Centro-Oeste os destaques são o tambaqui, o pacu e os pintados;
•    No Sul, predominam as carpas, as tilápias, mexilhões, ostras e vieiras.

A aquicultura pode ser realizada em qualquer tipo de água (doce, pouco salinizada ou marinha), desde que esta água tenha qualidade para o que será cultivado. Cada organismo que será cultivado necessita de uma qualidade de água especifica. Isso significa que os parâmetros de água como oxigênio, temperatura, compostos nitrogenados (amônia, nitrito, nitrato), metais, entre outros, irão variar conforme o organismo (peixes, camarões, moluscos, algas, rãs, jacarés) cultivado, a ração fornecida, a insolação recebida, o contato com diferentes tipos de solo e muitos outros fatores.

A atividade abrange as seguintes especialidades:

•    Piscicultura (criação de peixes, em água doce e marinha);
•    Malacocultura (produção de moluscos, como ostras, mexilhões e vieiras). A criação de ostras é conhecida por ostreicultura, a criação de mexilhões por mitilicultura e a criação de vieiras por pectinicultura;
•    Carcinicultura (criação de camarão);
•    Algicultura (cultivo de macro ou microalgas);
•    Ranicultura (criação de rãs);
•    Criação de jacarés

Pode ainda ser realizada em diferentes estruturas ou a combinação delas, as mais comuns são:

- Viveiros escavados ou baias (rãs) – escavação no solo que permite profundidade e a formação de um reservatório de água. Este reservatório pode ser revestido (lona, geomembrana, cimento, fibra ou outros materiais). Tem entrada e saída de água. Geralmente utilizado para cultivo de peixes, camarões, rãs e jacarés.

- Tanques-rede ou gaiola flutuante – estruturas feita de diferentes tipos de tela (em arame, plástico ou outros materiais) que boia, permite a circulação de água para os animais que estão lá e não tem contato direto com o solo. Este tanque rede é fixado no solo através de cordas, poitas, cabos de aço ou âncoras. Geralmente utilizado para cultivo de peixes.

- Cercados – estruturas de madeira fixas no solo, em baixa profundidade e com pouca influência de maré;

- Cordas – Cordas esticadas na água entrelaçadas por redes, que flutuam na água e suas extremidades são presas por poitas para permanecerem fixas. Geralmente utilizadas para cultivo de algas.

Sistemas Flutuantes para criação de moluscos: Utilizados na zona abaixo da maré, onde os animais ficam permanentemente imersos na água, sendo que a instalação pode ser feita em long-lines (espinhel) ou balsa.

- Cultivo em Long-lines (espinhel) – Consiste em um cabo único mantido na superfície do mar por flutuadores, distribuídos uniformemente a cada metro, e preso nas extremidades no fundo do mar por poitas de concreto. Entre as bóias desse cabo, são atadas as lanternas de cultivo.

- Cultivo em Balsas – As balsas são formadas por uma plataforma de 4 x 6 metros até 7 x 14 metros, geralmente de madeira, com um conjunto de bóias e fixadas no local por uma das poitas de ancoragem. A engorda também é feita em “lanternas” presas nessas estruturas.

- Lanternas - são as estruturas onde são acondicionadas as ostras, em alguns lugares são chamadas de gaiolas. Estas são compostas por bandejas ou pratos de 40 cm de diâmetro envoltos por uma tela de diferentes tamanhos de abertura, variando com o tamanho das ostras.

- Sistema Fixo (Cultivo Mesas/travesseiros) - O cultivo em travesseiros é recomendado para regiões de mangue com grandes variações de marés e em áreas rasas. A maneira mais apropriada para essa modalidade é o uso de mesas de engorda. Os travesseiros ficam fixos horizontalmente as mesas feitas de PVC, bambu ou madeira.

Tipos de cultivo

Pode ser feito em Monocultivo ou Policultivo.

Monocultivo: quando se cultiva apenas uma espécie alvo, por exemplo, cultivo de camarão.

Policultivo: quando se cultiva mais de uma espécie alvo. Exemplo: cultivo de camarão, ostras e algas em um mesmo viveiro.

 

Intensidade do cultivo (densidade de animais por volume de água):
- Extensivo: poucos animais no cultivo (baixa densidade), pouco ou nenhum uso de ração, poucas troca de água, sem uso de aerador. Geralmente utilizado quando o cultivo não visa ser comercial.
- Semi intensivo: maior densidade de animais, uso de ração, troca de água mais frequente, uso de aerador quando necessário. Geralmente utilizado quando o cultivo é comercial e sua intensificação não é possível.
- Intensivo: alta densidade de animais, uso de ração de boa qualidade, troca de água frequente, uso de aerador. Geralmente utilizado quando o cultivo é comercial.
- Super intensivo: alta densidade de animais, uso de ração de ótima qualidade, uso ou não de probióticos, sem troca de água*, uso de aerador ou soprador 24 horas por dia. Geralmente utilizado quando o cultivo é comercial e o produtor e seus técnicos já adquiriram experiência.
*A troca de água vai depender do sistema utilizado. Em sistemas de biofloco por exemplo, os flocos fazem a ciclagem dos nutrientes, permitindo o reuso da água tornando o sistema biosseguro e sustentável, não sendo necessário trocar a água.

Em sistemas com uso de filtragem por exemplo, o filtro permite o reuso de água constante também.

 

Basicamente para se iniciar a atividade aquícola, deve-se considerar no mínimo:

- Qualidade de água na propriedade;
- Qualidade do solo na propriedade;
- Licenciamento Ambiental regido pelo Estado onde está localizada a propriedade que se pretende cultivar;
- Estudo de viabilidade técnica e econômica (tempo de retorno do capital investido);
- Aptidão do produtor e técnico(s) em desenvolver uma atividade que produz comida de qualidade e/ou animais de companhia (pet);
- Projeto bem estruturado (mesmo que os cultivos sejam pequenos).

- Registro de Aquicultor

 

PRODUÇÃO AQUICULTURA


(Produção Pecuária Municipal – PPM/IBGE):
Dados de 2013: 476.500 toneladas (Publicado IBGE 2014);
(Peixes = 82% - Camarões = 14% - Moluscos = 4%)
Dados de 2014: 561.400 toneladas (Publicado IBGE 2015);
(Peixes = 84% - Camarões = 12% - Moluscos = 4%)
Dados de 2015: 574.164 toneladas (Publicado IBGE 2016);
Receita R$ 4,39 bilhões
Peixes = 69,9%; Camarões = 20,6%; Moluscos = 2%

Todas as 27 Unidades da Federação e 2 905 municípios brasileiros apresentaram informações sobre algum produto da aquicultura.

A atuação do Ministério é ordenar e planejar estas atividades, além de apoiar o desenvolvimento aquícola de forma sustentável avaliando projetos aquícolas em todo o território nacional.

 

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